2017: obra acabada

Caros amigos, lá se vai mais um ano. Isto significa que se passou mais um período de tempo. Sabemos que o tempo é uma abstração, mas em nossa consciência é real nesse plano de terceira dimensão, onde há desenvolvimento de ciclos. Também é real na quarta dimensão, onde as emoções ficam gravadas, ancoradas em um acontecimento em dado período de tempo.

Longe de tergiversar sobre a conceituação de “tempo”, observo essa questão ao modo poético e, como poeta (primo-irmão de profeta), hoje reduzo o tempo à nossa realidade mais palpável, que é a terceira dimensão e, para tanto, considero o ano que se finda hoje, 31 de dezembro de 2017.

Para que você, leitor, possa sonhar o meu sonho, é preciso sonhar. Então sonhe: pense o ano de 2017 (ou qualquer outro) como um enorme bloco de 365 metros. É um bloco especial que você deve esculpir na construção de sua vivência (aprendizado, trabalho, diversão, interação social, relações políticas, relações espirituais, etc.).

Cada dia significa um metro de trabalho a cinzelar o bloco de tempo. Mas há outra consideração: como cada ser é um universo completo, a natureza do tal bloco de tempo é particular e intransferível, única, bem como únicas e intransferíveis as ferramentas de que se dispõe para o hercúleo trabalho.

Para alguns, o bloco de tempo é feito do material das nuvens. Para esses (poucos, é verdade) sonhadores, esculpir o tempo é uma diversão e um prazer imenso, pois se utilizam do cinzel do pensamento e vão surfando o material dos dias, às vezes se demoram em arabescos, alguns se metem a fazer rococós e, mais que esculpindo, vão, com a leveza que lhes é própria, tecendo o dia no seu metro de tempo (salve, Gilson Cavalcante). Com isso, vão encantando a todos, iluminando o dia e a alma dos que lhes são acessíveis, imprimindo algo de céu em suas nuvens de tempo.

No outro extremo temos aqueles (infelizmente, a maioria) para os quais o bloco de tempo se mostra aço temperado e ele olha o tal bloco já com olhar desolado, arredio, medroso da tarefa que se lhe impõe. Olha com quase desespero o cinzel de diamante que tem em mãos: suficiente para cortar o aço, mas de cantos vivos que lhe esfolam as mãos, e, ainda a considerar, a imensa força necessária para efetivar o corte. Para esses, encarar cada metro de tempo é um desafio digno de Sísifo a rolar sua pedra morro acima.

Dada a natureza personalíssima de nossa visão do bloco a esculpir, só você, leitor, pode visualizar (ainda que sonhando comigo) a natureza do seu bloco de tempo: ar, madeira macia, madeira de lei tipo Pau Ferro ou Cega-Machado, argila maleável ou granito, bloco de espuma ou de ferro. Também só você pode perceber as ferramentas de que dispõe: cinzel de sonhos, cinzel de diamante, cinzel de plástico e por aí vai. Mas isto de observar a natureza do bloco e das ferramentas que possui é exercício a se fazer diante do Ano Novo que está para se apresentar. Para ver que materiais você teve e utilizou, basta olhar para a obra acabada de 2017 e, depois, sim, com toda a consciência, apor sua assinatura na maravilha ou horror que conseguiu esculpir. Espero, sinceramente, que seja uma escultura linda mas, ainda que tenha sido um horror, construa uma magnífica obra de arte com 2018. Se precisar de uma mãozinha, conte com meus sonhos.

 

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Sobre casagrande

Sou leitor. E escrevo.
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