Donald

Nervosinho, trapalhão, se achando o rei da cocada preta e mais esperto que todos, sempre pronto a levar vantagem, ainda que de modo não convencional. Eis aí o pato Donald.
Mas o Donald na foto em destaque é o topetudo Trump. Deu Trump na cabeça, contrariando todos os prognósticos, e o efeito colateral se dará nos bolsos, nos estômagos, na insegurança geral.
Observo as análises do efeito “homem mais poderoso do mundo” (mais uma estupidez nos conceitos capitalistas) e tais análises abrangem as mais diferentes áreas: da bomba que éa eleição de Trump no setor social, na economia global, na situação política (principalmente quanto ao México). Mas há um efeito além do fator Trump que não está sendo cogitado, e que observo como efeito macro no sentido histórico.
No desenvolvimento histórico observamos que o poder, inicialmente enfeixado por divinas mãos (e mentes), era exercido pelos escolhidos das divindades (os reis e imperadores na história antiga eram divinos), conceito que vigeu em simbiose até que se deu a separação dos “gêmeos siameses” Estado e Igreja. Em primeiro momento, os reis continuaram a ser a representação do divino, mas tal representação precisava do aval da Igreja, traduzindo a simbiose para outra dimensão. No segundo momento, o Estado separou-se da Igreja, flertando com a nova força de domínio, o Capital.
A nova personagem chegou humilde mas ágil, solapando o poder da Igreja (a começar com o conceito de lucro como pecado, pois por conta do capital a Igreja de Roma criou o conceito de “purgatório”, semi-inferno onde os ricos purgariam seus pecados antes de ir para o céu) e também do Estado, impondo cada vez mais profundamente seus próprios conceitos, a ponto de substituir conceitos da época como “família”, “nobreza”, “sangue” ou “honra” pela simplicidade de escarnio: “todo homem tem seu preço”, frase epistolar no catecismo dos negócios. Claro é que essa mudança se deu de modo paulatino, ao longo de séculos.
Chegamos ao século XXI com o domínio quase completo pelos conceitos e padrões capitalistas, com a Igreja em franca derrocada e o Estado completamente minado (o planeta, por decorrência, com falência múltipla de órgãos decretada pela ciência ecológica). Pois o fenômeno Trump é apenas o golpe de misericórdia na simbiose Estado-Capital. Com Trump o Capital tomou o Estado! E promete tomar o planeta (ou o que resta dele), em definitivo e com claras intenções de acabar o serviço de extrair as últimas forças dos órgãos que ainda apresentam qualquer traço de vitalidade.
Os idealistas, os que apostam no social e na sociedade entrarão para a história tão somente como um verbete. E, o pior, estará nos livros que apenas os fortes no capital poderão comprar. Natureza e recursos naturais em geral? Só têm valor à medida em que puderem ser transformados em capital. Seres humanos? A avaliação de cada um depende do lucro que possa proporcionar.
Deu Donald na cabeça e brilha o profeta Dante Alighieri na visão histórica do Inferno nessa divina comédia.

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Sobre casagrande

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