CALENDÁRIO DO VENDAVAL

Os sinais já se faziam sentir um julho, mas a coisa toda explodiu em agosto. Os ventos a varrer Palmas com suas vassouras de poeira, folhas, carvões de queimadas, trazem pelo ar muito mais que ondas sonoras, de rádio, de TV e de toda a parafernália virtual. Aliás, há uma outra onda virtual, inaugurada no dia 04 de agosto aqui no Brasil, e que forçosamente deve ser registrada nesta agostiniana crônica: Pokémon Go!
Pokémon Go entrou em minha vida através do frisson que provocou em alguns tantos conhecidos e muitos outros desconhecidos que resolveram participar do jogo ou que, de cara, subiram nas tamancas, abespinhados (sei, a palavra é velhíssima, mas cheia de encanto) com a onda, que chamam “alienante”. Isso no primeiro momento, porque logo depois aconteceu de um tal Pokémon se alojar no meu ombro esquerdo, sem que eu tivesse a mínima noção do que se passava. Só descobri tarde demais e paguei um mico histórico, Explico:
Frequento regularmente o Parque Cesamar, em Palmas-TO, para as caminhadas ou para exercício literário junto à Academia Palmense de Letras. Pois eu justamente havia adentrado pelo portão do parque e me dirigia à APL quando uma jovem (ai, que recordar dói!) linda, ostentando o design próprio da esportista radical, vem em minha direção, olhos cravados no smartphone. Como escravo absoluto da beleza, continuei a caminhar, embora em passos mais lentos e muuuito miudinhos, alongando o tempo de exposição daquela beleza feminina aos meus muito rodados olhos (6.0 chegando em dezembro).
A distância entre nós, diminuindo; ela com os olhos juvenis (1.8, no máximo) coladíssimos no celular e, de repente, levanta a cabeça e lança-me um daqueles olhares enevoados, perpassados do véu do gozo, permissivos, alucinados! Foi a força daquele olhar que me iludiu, encantou, apaixonou e… derrubou. Ocorre que a linda garota não olhou para mim (me explicou depois), tentava visualizar o Pokémon que estava aí pela altura do meu ombro esquerdo. Pediu desculpas pelo encontrão e o tombo que provocou, sem a mínima ideia de que tinha derrubado coisa muito mais importante que meu corpo físico: tinha posto no chão minha dignidade.
Contudo, há concretudes em agosto. Tem as Olimpíadas Rio 2016 (a abertura foi uma catarse brasílica!), a revelar a incompetência dos brasileiros no planejamento de obras, no preparo da infraestrutura, no trato com a coisa pública, o que é muito menos virtual e bastante mais maléfico que o personagem que me invadiu no Parque Cesamar. Vendaval de agosto em duas dimensões.

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Sobre casagrande

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