Perto do Fogo

Lançamento do livro de Paulo Aires Marinho, “PERTO DO FOGO”

                                  

 

Importa, antes do mais, que se observe a arquitetura da obra que, de pronto, nos acolhe com imagem de aconchego: “perto do fogo”. “Quentá fogo” é uma das atitudes sociais neste Brasil de sertões, que melhor traduz esse sentimento de bem receber.

Pois bem, introdução feita, ultrapassemos os portais fronteiros (que os há, também, interiores). Encontramos, de cara, “Do Amor, sua tarefa e seus labirintos”, que continua, em seu desdobramento, a envolver-nos em carinho e intencionalidades de comunhão. É nesta dimensão arquitetônica de PERTO DO FOGO, que encontramos, por exemplo, o “Quarto manuscrito”:

 

“Teus olhos de vitrais e suor,

A implacável luz do teu corpo,

Teu sorriso de farol e liberdade,

Tua palavra de vinho e pão partido.

 

Teus ensinamentos de torre iluminada,

Teu livro de fadigas e sementes maduras.

 

Esta lembrança vai comigo

A vida inteira.”

 

E nessa toada, mista de ternura e tesão, desenvolvem-se as considerações sobre Amor. Na segunda parte, “Da Terra, sua raízes e seus frutos”, vemos a preocupação não apenas com a exuberância da Mãe Terra, mas também com dissemina(ação) do homem, a plantar desvidas. Confira, à página 69, o “Poema Metálico”, do qual trancrevo parte:

 

“…

frutos acrílicos

animais plásticos

pássaros metálicos

chuva ácida

sol cáustico

camada de ozônio

lixo nuclear

palavras enferrujadas

saliva sulfúrica

aquecimento global

vidas transgênicas

bichos clonados

…”

E nesse exercício de observação profunda, translúcida e crua, Paulo Aires Marinho arremata esse PERTO DO FOGO com a mensagem da bem-aventurança, quando traduz o capítulo último, perfazendo a trilogia, “Da Esperança, suas dores, suas manhãs”. E se resta a alguém alguma dúvida de que a poesia redime sempre, em todas as dimensões da vivência humana, fechamos estas considerações com o poema (página 107) “De escuridão e claridade”:

 

“Fazia escuro. Demasiado escuro.

Porta fechada. Vinho derramado.

 

Pés calejados voltaram

A percorrer outros caminhos.

 

Ungidos com um poema de Thiago de Mello,

Um romance de Graciliano Ramos,

Um ramo de esperança,

Palavra na mesa da partilha.

 

Ombro a ombnro, mãos iluminadas.

Cardume de luas

Cobiçando o código

Dos dias frios e amargos.

 

Aquela noite foi convertida em claridade.”

 

Claro que se você não se deixou tocar, nem precisa ler PERTO DO FOGO. Mas se percebeu o aconchego, se achegue que esse carinho está à disposição.

Paulo Aires Marinho estará lançando o livro de poemas  PERTO DO FOGO no próximo dia 09. Confira:

 

Quando: Dia 09/10/2009, sexta-feira,

Onde: Em Divinópolis – TO (cidade natal do autor)

Horário: 20:00 h

Local: Colégio Estadual João Dias Sobrinho (Fone: 3531. 1205).

 

Contudo, se você conseguir esperar um bocadinho, o fogo vai se acender também em Palmas, para a devida chegança, em data e local a serem confirmados.

 

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