Folia do Divino Espírito Santo de Monte do Carmo

Toque de caixa. Entra cantoria em seqüência.

1 — Off — Monte do Carmo é a marca viva da pujança cultural do Brasil império, registrando várias manifestações populares que se embasam na fé, na tradição e na alegria profana.

2 — Off — Dentre as tradições cultuadas em Monte do Carmo, uma das mais vivas e vigorosas é a Folia do Divino Espírito Santo, onde a fé conduz a bandeira sertão adentro. Inicialmente a folia era atividade exclusiva de brancos e funcionava como um elo de ligação entre as cidades e o sertão; fazia as vezes de correio e era também quem promovia o divertimento conm a roda e a sussa. Mas a principal função da Folia era manter vivas as tradições da igreja.

3 — Off — A Folia do Divino é movida pela fé. O respeito é extremo e encontramos seus sinais a cada instante: no ato de guardar a bandeira no quarto, na bênção das mulheres, que nunca passam debaixo da bandeira, na disposição do garfo e da colher sobre a mesa, que representam os donos da casa, homem e mulher; na abstinência sexual durante todo o giro da Folia e ainda em tantos gestos, movimentos, deferências…

4 — Off — Refletindo os costumes do império, a Folia é atividade tipicamente masculina, inclusive quando a bandeira é recepcionada na casa que a acolhe. É sempre o homem que a recebe, a saúda e a beija no terreiro, enquanto a mulher a recebe na porta e só a beija dentro de casa. É isso que reza a tradição.

5 – Entrevista n° 1 – enfoque na estrutura da Folia (Capitão do Mastro)

6 — Off — Passou o ciclo do ouro e o fausto. Passou-se o tempo em que Monte do Carmo, por sua importância econômica, tinha 7 padres. Mas não passou a tradição que institui nas Folias os arrieiros, responsáveis pelo bom estado da tropa e dos pertences da folia, bem como das boas condições de pouso dos foliões. Ainda sob responsabilidade do arrieiro-chefe, a guarda de toda a esmola recebida durante o giro da Folia.

7 — Off Passa o tempo, mas não se modifica em Monte do Carmo a base de solidariedade, onde o vizinho empresta seus braços para colher o arroz do folião que, devoto, está em giro pelo sertão; giro que todos fazem de graça, pela graça de estar sob a proteção do Divino Espírito Santo e ao mesmo tempo ser seu representante.

8 — Fundo musical relacionado ao Divino.

Off —

O tempo passa e os costumes se modificam, mas no giro da folia persiste a mesa farta, a fé, a solidariedade e o respeito ao Divino Espírito Santo que guia o giro da Folia. É esse giro que você acompanha agora.

9 – Entrevista n° 2

10 — Destaque para a batida da caixa, quando se dá a saída dos foliões.

Off — O momento de partida é um ato de fé, como serão doravante todos os atos da Folia. Quem vai ali não é um grupo de cidadãos, e sim representantes do Divino Espírito Santo. Capitaneados pelo Alferes, o encarregado de levar a bandeira, vão os foliões, que tocam e cantam suas catiras e suas rodas em verso. À frente do grupo vai o sagrado, simbolizado na bandeira do Divino…

11 — Off — Os fiéis espalharam-se pelo sertão. O Divino, para visitar a todos, precisa de mais de um grupo. Por isso, Monte do Carmo tem duas folias, assentando na sua cultura a Folia de Cima, que faz o giro pela região das serras, e a Folia de Baixo, que entra em Palmas para levar as bênçãos da Divindade aos dirigentes do Estado do Tocantins.

 

12 — Off — A caixa anuncia a chegada da Folia, que faz seu giro visitando os recantos mais ermos, mas sempre sob a proteção do Divino Espírito Santo.

 

13 — Off — Ao chegar no lugar de pouso, a Folia já é esperada, porque os arrieiros chegaram antes para prepará-lo. Na mesa de fartura a folia participa; na mesa de precisão, a folia partilha seu pão. Na chegada ao pouso, a recepção pelos Arrieiros e o Canto de Licença…

 

14 — Off — A folia cumpre o mesmo ritual a cada dia.

a) a limpeza do corpo…

b) o alimento do espírito, antecedendo o alimento do corpo…

c)

e o ofício da fé no Divino Espírito Santo…

 

15 — Off — Em cada pouso, repete-se o ritual: No entardecer, o Canto de Licença, permissão para entrar na casa; o Bendito, agradecendo a refeição; a grande festa da noite, onde imperam a roda e a sussa; no dia seguinte, o Canto do Esmolante, pedindo um adjutório para realizar a festa do Divino e, por fim, o Canto da Despedida.

 

16 — Off — O giro da folia pelo sertão dura 30 dias. No último pouso, cumpre-se um ritual diferenciado, purificando os foliões.

17 — Off — Chegou o dia do Encontro, quando Monte do Carmo recebe suas folias com toda a alegria e pompa, que se manifestam no respeito ao Imperador, nas vênias aos foliões, no giro em volta da igreja, único momento em que as folias cruzam seus caminhos, como que significando o enfeixamento da fé.

 

18 — Off — No Canto do Altar, o agradecimento pela proteção. O giro da folia terminou, os foliões cumpriram a sua obrigação para com o Imperador. Mas a festa do Imperador ainda não terminou.

 

19 — Entrevista n° 3: Enfoque sobre o Imperador.

 

 

20 — Off — A festa continua no dia 16 de julho, aí com a folia das mulheres, que têm primazia na cidade, acompanhando a Bandeira da Misericórdia.

 

21 — Off — Partilhando o almoço com o Imperador….

22 — Off — O cortejo passa pelas vias da tradição centenária, até a coroação.

23 — Off — A noite termina em festa, augurando as bençãos do dia seguinte…

 

24 — Off — O 17 de julho incia-se com a Missa do Divino, também conhecida como Missa do Imperador, onde a Irmandade do Divino anuncia o nome do Imperador do próximo ano. Assim o ciclo está completo, para reiniciar-se no próximo giro, na próximo domingo de Páscoa, na mesma fé sempre renovada.

Fé que se manifesta na alegria humilde, nas cores das fitas que representam e exaltam os raios de luz do Divino;

25 — Off — Nas oferendas que, independentemente do valor, são sempre cheias de Graça e gratidão.

Fé que se mostra na beatitude do fiel, na autoridade do Alferes, na esperança singela de alcançar a graça. Fé que transporta pelas montanhas e planícies a Graça e Glória do Divino Espírito Santo.

26 — Entrevista n° 4: Enfoque sobre o papel do poder público.

 

27 — Off — É assim, alicerçada no respeito e sustentada pelos pilares da fé, que a Folia de Monte do Carmo vive sua tradição e a passa para seus jovens e crianças que, desde cedo, aprendem que estão protegidas pelo imenso poder do Divino Espírito Santo, cuja bandeira vai abrindo e abençoando os caminhos do futuro.

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Sobre casagrande

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2 respostas para Folia do Divino Espírito Santo de Monte do Carmo

  1. mabylla disse:

    (**lindos versos**)

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